Uma verba, muitas idéias…

segunda-feira, 29 janeiro 2007

E começam os pitacos

Filed under: Trabalho — tenenteblueberry @ 11:00 pm

Filho bonito, todo mundo quer ser pai. E não é diferente com uma verba de R$ 200 mil: Estão se metendo demais no projeto… Tive conversa com a coordenadora, que já quer refazer o projeto todo, redirecionar tudo para compra de computadores, em detrimento de reformas estruturais (elétrica, marcenaria, cabeamento da rede, etc). Só que não é o que nós queremos, e não iremos fazer, sob hipótese alguma. O velho discurso de privilegiar a equipe acaba sendo apenas para contornar possíveis comentários do tipo: “Ah, ele está num laboratório com máquinas novas e eu, não…”. Ou seja, a malfadada inveja. Acontece que o nosso interesse é privilegiar o nosso público-alvo: Alunos. E trabalhar no laboratório de manutenção, no verão, com máquinas velhas (Pentium 133) e bancos acabados… Ninguém merece. Por isso, antevejo as tempestades, e que as discussões comecem.

quarta-feira, 3 janeiro 2007

As primeiras compras – ar-condicionado

Filed under: Compras,Trabalho — tenenteblueberry @ 3:30 pm

Entramos de férias, apesar de gente da direção da escola querer que a gente articulasse para trabalhar nas férias (“só se for por cima do meu cadáver“, disse certa vez), para “adiantar” o projeto. Não, estou fora, não estou com vontade de dar mais do que eu devo para o meu trabalho. Mas, ao mesmo tempo, outras coordenações estavam levantando preços e descontos para quantidades maiores, assim, quando fôssemos comprar a mesma coisa, comprávamos todos juntos, e poderíamos pleitear por um desconto melhor. Antes das férias, fizemos um projeto para a escola, de tudo que deveria ser feito em termos de manutenção. E cobria desde arrumar a junta de dilatação do prédio (que deixava cair embolso sobre um computador, num dos laboratórios) até uma mola para a porta. Conforme imaginamos, não teríamos muita coisa sendo feita, o que ocorreu, por diversos motivos. Mas fizemos a lista, e entramos de férias tentando realmente ter descanso.

O ano de 2006 foi um ano díficil, e bem cansativo. Tivemos uma greve, que não adiantou nada, e só atrapalhou o ano letivo. Atrapalhou em termos, pois vários professores da formação geral (Português, Matemática, Química, Biologia, esse tipo de disciplina), mesmo com uma greve, em outubro encerrou toda a disciplina que “deveria” dar em 2006. Ah, tá. E eu sou Napoleão Bonaparte. Só nós, os tontos do curso técnico, é que continuamos dando aula até o meio de dezembro e aplicaríamos provas de recuperação final em fevereiro. De 2007. Nossas disciplinas não são acumulativas. Se um professor de Química não dá todo o conteúdo em um ano, ele pode tentar recuperar (ou não) no ano seguinte. Já com Montagem e Manutenção, não dá: Ou vê naquele ano, ou não vê mais. E deu no que deu.

Portanto, para quem trabalhou até o dia 29 de dezembro, não queríamos nada além de férias. Só que não queriam nos dar. Além disso, tínhamos vários dias em que trabalhamos como extra. Mas não tínhamos comprovação. Pelo menos umas 2 semanas, se somar todas as idas à escola quando não deveríamos ir. Normalmente, íamos para “salvar o mundo”, ou algo do tipo. Estamos ficando acostumados a esse sentimento de Sassá Mutema, o Salvador da Pátria (lembram dessa novela?), e nos habituando a isso. Só não estamos habituados a passarem por cima das nossas folgas, o que (ainda) querem fazer. Dizem que falta comprovação. Ah, tá. Então, eu trabalhei como idiota, né? Tá bom.

Ao longo de janeiro de 2007, houveram mudanças na escola. Quando o novo governador assumiu, orientou a todo o primeiro e segundo escalões: Priorizem a prata da casa, quem já está por lá, ao invés de trazer apadrinhados políticos. E nessa, o presidente da FAETEC levou 2 diretores da nossa escola para trabalhar com ele. Confesso que quando esse diretor entrou, eu fui reticente, achei que seria ruim para a escola. Me enganei. O Adriano foi um excelente diretor, e, embora fosse da formação geral, tratou a gente, do curso técnico, como iguais. Como deve ser. Admito que queimei a minha língua, e foi com orgulho. Foi o melhor diretor que a gente teve, desde que eu entrei.

Então, como ele e outro diretor (Válter) foram para a FAETEC, quem assumiu interinamente foi o Diretor de Patrimônio. Esse é professor da Informática, um sujeito muito competente, pessoa muito capaz, com uma visão ótima. Só tem um detalhe: Quando quer, consegue ser grosso sem subir o tom da voz. Ah, e ele é mortalmente irônico. Ou sarcástico, escolham o que achar melhor. Se você não souber levar na esportiva, não vai dar certo. Logo, a “ordem” que tínhamos era: Se ele pedir alguma coisa, sai correndo e faça. Prefiro ter ele ao nosso lado do que contra. Se tivermos ele contra nós, melhor pedirmos transferência de unidade. Mas o nosso relacionamento com ele tem sido ótimo. Então, daí imaginem como está a cabeça dele, diretor interinamente até a próxima eleição, em março (ou abril, ou maio, sei lá quando será), fazendo o trabalho de três. Complicado, né?

Então, papo vai, papo vem… A nossa nova coordenadora, elétrica e bem amalucada (gosto dela a ponto que não ter votado nela – afinal, ela é minha amiga, não queria vê-la nessa fria), resolveu se meter a resolver sobre o projeto. Já diz a sabedoria popular: Muito cacique para pouco índio. Exatamente. E aí foi bater perna, correr um monte de lojas para ver os ar-condicionados. Foi decidido que o conjunto de 13 novos ar-condicionados seria a primeira coisa a serem comprada. Ela vem com um levantamento de preços, fruto de uma manhã de pesquisa, telefonemas e visits de lojas, e… Eu destruo a pesquisa dela em 5 minutos, olhando esse site. Sim, eu sou mau. E achamos 3 preços melhores dos que os dela. Acabamos dando alguns telefonemas, e foi fechada a compra de 17 ar-condicionados (4 para a Telecom, 13 para a Informática) na Ambient Air do Rio Sul.

Portanto, o derrière foi um cheque, no valor de 15333 reais (o maior cheque que eu já fiz na vida), repassado à coordenadora da Telecom, que iria lá fazer a compra. E assim foi feito, o s ar-condicionados chegaram nas nossas mãos em 9 de janeiro, o cheque foi entregue dia 3. Mas não foram instalados, pela necessidade de ser feito um planejamento de aumento de carga. Explico: Em cada laboratório temos 2 ar-condicionados de 15000 BTUs (teoricamente, já que muitos não funcionam, não ventilam, nem tem ar por lá). A idéia era colocar um antigo funcionando e um novo, de 18000 BTUs. Só que é um aumento de 3000 BTUs por laboratório. 30000 BTUs no total. Somando os dois que seriam colocados na manutenção, o aumento seria para 60000 BTUs. Há um aumento de carga na energia elétrica, o que provavelmente traria um colapso à nossa combalida instalação elétrica. E assim foi.

Ainda voltei lá, dia 23 de janeiro, para ver o que tinha acontecido com um dos servidores. Dei um jeitinho, está funcionando. Na verdade ele está morrendo, só falta deitar para pifar de vez. Mas dá para quebrar o galho. E foi isso. Tudo recomeçou no dia 29 de janeiro, e aí eu falo um pouco mais depois. Por agora chega.

segunda-feira, 4 dezembro 2006

Motivação da verba

Filed under: Trabalho — tenenteblueberry @ 10:00 am

Há anos nossas condições de trabalho lá na ETER não são das melhores. Dar aula de Photoshop em Pentium 133 era uma piada. Para piorar, o antigo administrador da rede cismava de usar Windows 2000: “Para melhorar a segurança”, segundo ele. Logo, desde que eu lá cheguei, em 1999, eu vejo e participo da manufatura de projetos para solicitar verba, para fazer upgrade nas máquinas.

Nesse tempo todo, parte do parque computacional foi trocado, para máquinas alugadas. O Governo do Estado paga aluguel mensal (e um valor razoavelmente alto, na minha opinião) a uma empresa, que colocou os computadores lá. Eram inicialmente K6-2 400 Mhz e Celeron (de Pentium III) de 933 Mhz. Mesmo assim, uma luta. Melhorou depois que, em meados de 2005, um protesto de mães de alunos na porta da presidência da fundação fez o DGI acelerar o passo e fazer a troca, para Sempron 2400 Mhz, com 256 Mb de RAM e 40 Gb de HD. Sim, a placa-mãe é PC Chips. São 8 laboratórios com Sempron 2400, e 2 com os Celeron 933 Mhz, fora os “servidores”, Athlon XP 1600+ com 256 Mb de RAM, HDs de 20 e 40 Gb (varia), e placa-mãe Asus. Toda onboard. Dureza.

Ainda temos uma instalação elétrica complicada (10 volts de retorno no neutro, que tal?), mesas caindo aos pedaços, e a arquitetura de rede mais mal-feita que eu já vi. Basta dizer que temos TODOS os 160 cabos de rede (são 16 pontos em cada um dos 10 laboratórios) descendo na sala da rede, em 7 hubs da 3Com de 10 Mbps (sim, Ethernet padrão, nada de Fast Ethernet) e… Sem switch. O switch queimou. A 3Com dá garantia por toda a vida, mas como ela vai dar garantia se não temos a nota fiscal? Daí, dá para vocês entenderem que muita coisa a ser feita. Portanto, queríamos trocar tudo, começando por uma obra no laboratório de Manutenção, o “patinho feio” da informática.

Fizemos mais um projeto, baseado em boataria, e deixamos engavetado. Era o mês de setembro de 2005, e o diretor entra na rede, vem falar conosco. Pede o projeto, e pede para que a gente reformule e atualize ele, com preços. Logo exclamo: “Já sei, a presidente da FAETEC ou o Secretário de Ciência e Tecnologia vem aí!” Ele não responde, mas no dia seguinte descubro que acertei – era o SeCT que viria. Refazemos o projeto, atualizamos preços, saio da escola lá pelas 9 da noite, e acabo o serviço às 3 da manhã. Dia seguinte, cedo na reunião de coordenadores… É isso, visita do SeCT na escola, e a FAPERJ está com o coração aberto para dar verbas de auxílio à pesquisa.

Nosso projeto foi orçado em R$ 315 mil. Incluía mudanças de todos os computadores e muitas modificações na rede. Claro, imperfeito, excluía muito trabalho com mão-de-obra, muita coisa que deveria ser feita. Entregamos o projeto, e depois soubemos que foi levado pelo Secretário à FAPERJ. Posteriormente, encaminhamos um pedido formal para uma bolsa do tipo APQ1, nesse valor, e o pesquisador responsável seria eu.

Eu estou envolvido no projeto até o talo, e sou o único mestre da equipe. Logo, submetemos, e recebemos em novembro a comunicação de que, em dezembro, teríamos uma cerimônia para assinatura dos convênios. O projeto do curso técnico de informática foi o maior, mas não o único: Telecomunicações, Mecânica e Eletrônica (acho que cada um com R$ 50 mil) também solicitaram, e a Enfermagem (uns R$ 150 mil) entregou o pedido atrasado.

Vem cerimônia, eu, rouco, falo brevemente sobre o uso da verba, ouço o deputado Noel de Carvalho falar (e usar uma das minhas frases – dando o devido crédito), e depois recebo a papelada para abrir a conta num banco Itaú. Abro, e… Fico esperando.

Esperamos ao longo de 2006 todo a vinda da verba que disseram, viria. Virou uma piada recorrente entre a informática, dizendo que o Papai Noel traria a verba. Outros sugeriram que ela sairia quando a Micro$oft fizesse um Windows que não travasse. E por aí vai. mas pagaram. Sim, pagaram! R$ 200 mil. Pouco mais de 2/3 da verba original, mas… Aleluia, o dinheiro veio! Nesse intervalo disseram que cancelaram a conta, disseram um monte de coisas… Mas o dinheiro veio. Agora é usar. E aí eu começo a contar daqui por diante.

PS: Estou colocando inicialmente a data retroativamente justamente por causa de quando a verba foi paga. Logo, dia 1/12/2006, depositaram a verba, e em 1/12/2007 deverei já ter entregue a prestação de contas à FAPERJ. Logo, a mudança de data é proposital.

sexta-feira, 1 dezembro 2006

Primeiro post

Filed under: Compras,Trabalho — tenenteblueberry @ 12:00 am

A origem desse blog tem uma idéia, e vários motivos. A idéia é contar para quem quiser ler, sobre as peripécias que estamos fazendo lá na minha escola, depois de termos recebido uma verba da FAPERJ, para mudanças na estrutura do curso técnico de informática.

Os motivos são, antes de tudo, a minha mania de contar histórias. Tem coisas interessantes acontecendo, e eu quero compartilhar. A segunda, é ser um relato franco e aberto, de como pode-se investir uma verba considerável na melhoria da estrutura de uma escola, sem termos desperdício ou corrupção. Sim, isso é possível no Brasil. E também é um relato que me pode ser útil, caso haja algum problema na prestação de contas. E por último, esse blog deve encerrar os posts em dezembro, pois é o prazo de uso da verba. Pode ser que o último 1/3 da mesma saia (nunca se sabe), aí eu continuo por mais um pouco.

Ah, por que no WordPress.com… Bem, eu sempre quis experimentar a interface, e ver como funciona. Pode ser que no futuro eu migre os meus blogs para cá (parece que há ferramentas para importar tudo, inclusive os comentários), mas por enquanto, essa é uma experiência.

Leciono na Escola Técnica Estadual República, parte da rede FAETEC de escolas técnicas, ligada à Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro. No próximo post eu começo a narrar as histórias, antes de tudo falando de forma retroativa. Ou seja, falar do passado, para chegar ao presente e irmos ao futuro.

Ok? Nos falamos em breve. Até.

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